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Viver no Futuro, Hoje

Pelo Prof. Doutor Carlos Carranca

Diretor da Biblioteca

 

Integrada a Biblioteca no património do edifício - Palácio de Santa Helena, onde nos encontramos, impõe - se que o conheçamos minimamente, tanto na sua componente arquitectónica como humana.

Trata-se dum edifício que assenta em estruturas anteriores ao século XIX, sobretudo do século XVIII, anteriores ao terramoto de 1755 e de que a reconstrução aproveitou algumas estruturas materiais como azulejos de motivos florísticos e geométricos datados do século XVIII.

No rés-do-chão da nossa Escola encontramos uma sala grande que foi, outrora, decorada com um forro de seda vermelha (ainda tive a oportunidade de o observar) onde se realizaram concertos, bailes de gala - era a sala da música. Os seus azulejos riquíssimos, estilo rococó, anteriores ao terramoto, confirmam-no.

Dos elementos neogóticos, assim como de alguns arcos em “ogiva” a encimar algumas das janelas, tudo nos diz que este edifício nos obriga ao estudo. Há contudo, na sua componente humana um elemento que reputo de valor sentimental incalculável: a porta que dá acesso ao terraço sobre o Tejo. Na parede que a suporta há o registo do crescimento de alguns dos filhos dos antigos proprietários com nomes e medições. Era ali que os pais guardavam a ternura que mediam em centímetros.

Coube-me o privilégio de ter presenciado, dias após a aquisição à Família Sequeira ou Siqueira, pela COFAC, do Palácio de Santa Helena no ano de 1993, o estado de degradação a que o edifício havia chegado, e assistir ao milagre gradual da sua recuperação.

Consultada a Grande Enciclopédia Portuguesa Brasileira verificámos terem existido nada menos do que 74 Sequeiras ou Siqueiras, desde o século XV até ao início do século XX.

Entre os Sequeiras com alguma relevância social encontram – se personalidades que tiveram seguintes estatutos:

Religiosos;

Missionários;

Um mestre da Ordem de Avis;

Um militar em Alcácer Quibir;

Um guerreiro na conquista de Ceuta;

Médicos;

Um mestre de Artes pela Universidade de Alcalá;

Um recebedor- mor da Casa de Ceuta;

Um “notável genealogista”;

Músicos, engenheiros, jornalistas, etc.

E é assim, partindo duma casa – família como modelo de herança histórica plasmada em diversos campos com multisecular atividade (Literatura, Teatro, Música, Religião, Guerra, etc.) que entendemos dever ser a Escola Superior de educação Almeida Garrett e especialmente a sua Biblioteca, o lugar de interação de saberes, sem portas, aberto a toda a comunidade escolar e envolvente.

Há que romper com qualquer bloqueio de afectos que possam conduzir à incapacidade de dar e receber – sobretudo de dar e saber receber. Há que não temer os afetos e saber acolher todos aqueles que nos procurem. Mas, também é fundamental, saber ir ao encontro, saber estar para além de nós. Há que não temer os afetos.

Está chegada a hora de acreditar no crescimento qualitativo e sua correspondente maturidade, dando razão substancial para o crescimento quantitativo.

A Biblioteca conquistou espaço físico. Agora é de um espaço vital que necessitamos e esse não se faz na exiguidade das ideias mas na abertura a novos horizontes originando uma visão moderna. Em plena idade da informação estamos a assistir à maior turbulência nos sectores do documentalismo: as editoras e as livrarias tradicionais estão regra geral em falência; as bibliotecas e arquivos organizam-se em novos moldes. Os próprios fazedores de conhecimento servem-se cada vez menos de papel de rascunho.

É num enquadramento de modernidade mais avançada que a Escola Superior de Educação Almeida Garrett se perfila, para isso está particularmente vocacionada, graças à massa crítica que dispõe. Temos que debater os problemas do nosso tempo. A nossa Escola tem que ganhar cultura de debate. Não basta conhecer, é preciso também saber fazer.

Acrescente-se a estas preocupações, outras que se prendem com a dinamização do espaço físico e mental da Biblioteca promovendo todo o tipo de atividades como exposições, conferências, colóquios, recitais e outras atividades que os seus utilizadores solicitem e se adequam ao projeto. 

Vamos necessitar do entusiasmo crítico de todos. Quando dizemos todos, é de todos, mesmo. Para que possamos cumprir, com humildade e força, alguns do ideais de Almeida Garrett e de Agostinho da Silva. Sejamos poetas à solta, vivendo no futuro, hoje.

 

 

 

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  • Empréstimo domiciliário;
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