Na maior parte dos escritos que ultimamente têm vindo a lume sobre o chamado processo de Bolonha, a referência ao termo competitividade configura praticamente uma permanência. Depreende-se daqui que as lideranças do velho Continente não terão feito a melhor leitura do sentido subjacente à actual crise mundial, a qual aparenta uma natureza eminentemente financeira, mas que talvez seja autenticamente de valores. Tal fragilidade de leitura implica obviamente um duvidoso saber lidar com a crise. Como o comprova o argumento recorrente da competição.
Não se duvida de que o Espaço Superior de Educação Superior consubstancia, na sua essência, uma certa intenção política. Precisamente por isso - e sob uma visão preventiva – deseja-se que os actores reais da consecução da Declaração de Bolonha (comunidades académicas do Ensino Superior) assumam valores como cooperação, solidariedade, inclusão e cidadania democrática, relegando assim para lugar secundário o paradigma da competitividade.
Jorge Serrano
Director da ESE Almeida Garrett

