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Ecos de Bolonha [2]

Aspectos nucleares da criação do Espaço Europeu de Educação Superior

 Maio de 2009

Jorge Serrano
Director da ESE Almeida Garrett

 

As dinâmicas decorrentes da implementação do chamado Processo de Bolonha têm vindo a ser de algum modo conhecidas no cenário do ensino superior do Velho Continente como processo de convergência europeu. Dada a possibilidade de este epíteto poder gerar uma percepção semântica orientada para a uniformização da organização e funcionamento dos sistemas de ensino superior europeu importa, neste contexto, reflectir sobre a leitura a fazer sobre o termo convergência.

Efectivamente, convirá ter-se em atenção que urge privilegiar a cultura da diversidade das áreas científicas no conjunto de todos os sistemas de ensino superior da Europa de forma a contrariar uma eventual e indesejável tendência para um padronizado plano de estudos matricial que uma interpretação superficial da palavra convergência pode indiciar. Logo, a primazia deverá centrar-se no elevado grau de autonomia que as diferentes comunidades académicas europeias deverão assumir na concepção e desenvolvimento das suas propostas formativas. Procedendo-se assim, será basilarmente consagrado o princípio enriquecedor da diversidade, sem colocar em causa o procurado princípio da convergência, remetendo-se, este, para o campo da compreensibilidade e da comparabilidade recíprocas da constelação europeia dos cursos disponíveis.

Entender deste modo a questão da convergência é absolutamente necessário mas não se afirma como condição suficiente para a concretização dos objectivos subjacentes ao novo Espaço Europeu de Educação Superior. Outros aspectos cruciais serão igualmente de contemplar. Entre estes figuram certamente, por um lado, a garantia de qualidade e, por outro, o dever ético cometido a todas as instituições de tornar mais transparente a sua oferta formativa.

 

Maio de 2009

Jorge Serrano

Director da ESE Almeida Garrett