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Ainda a Propósito da Escola de Pais

Ser pai, ser mãe: como educar os filhos nos tempos que correm?

Por Jorge Serrano  Director da ESE Almeida Garrett

 

A noção de família, bem como os papéis que lhe estão cometidos, têm vindo a mudar ao longo dos tempos tendo em visto assegurar a sua adaptação, de modo positivo, à evolução cultural, económica e tecnológica da sociedade. Independentemente deste vertiginoso ritmo de evolução social a família continua e continuará a ser, para muitos, uma instituição sócio-educativa determinante para a realização bem sucedida dos projectos de vida das novas gerações.

Como facilmente se depreende, o papel de maior relevância no contexto familiar traduz-se pela interacção educacional pais-filhos. Efectivamente a família é o primeiro e grande agente socializador das crianças e muito do que acontecer nesta dinâmica irá marcar de modo significativo os seus percursos de vida. Consequentemente, é de extrema responsabilidade o papel educativo dos pais face ao sentido da futura qualidade de vida dos seus filhos.

As exigências da sociedade contemporânea são inegavelmente complexas. Para além deste facto evoluem de modo constante e veloz. Tais atributos da sociedade actual transformam a educação dos filhos num processo objectivamente difícil para os pais devido, principalmente, à incerteza de qual o caminho a seguir.

Os pais de hoje sentem um pé passado e outro no futuro. O pé no passado aconselha a que eduquem os filhos de algum modo segundo a forma como foram educados. O pé no futuro. O pé no futuro alerta, de imediato, para o facto de se ter em conta que educar os filhos de acordo com os modelos do passado não os ajudará muito a adaptar-se com sucesso às formas de vida do amanhã.

Educar os filhos como foram educados não é, pois, a melhor estratégia para ser adaptada pelos pais nos tempos presentes. Então qual a melhor estratégia? Ora bem, aqui está uma pergunta à qual pouca gente - ou talvez ninguém – possa responder com assertiva segurança. Porquê? Precisamente porque os dias de amanhã não são, obviamente, conhecidos. Gera-se aliás uma grande incerteza do como virão a ser tais dias. A única certeza é, pois… a incerteza! Logo, ser pai ou ser mãe, nos tempos que correm configura um dilema de tensa perplexidade, dado que ninguém pode ter a certeza do como educar os filhos para um amanhã de contornos sociais e culturais essencialmente incertos.

O que aqui se tenta evidenciar é que o que está verdadeiramente em causa é o futuro das novas gerações e, em termos mais concretos, a felicidade dos seres que, nós pais, fizemos com que viessem a este mundo. Impõe-se, pois, gerar tempos e espaços de debate, de informação e de formação que, de alguma forma contribuam para tornar mais seguro o itinerário a seguir pelos pais no processo de relação e de educação dos filhos. Vale a pena conceber e proporcionar tais iniciativas dado que ajudar as famílias a melhor desempenhar os seus papéis parentais é contribuir de modo decisivo para uma vida em sociedade mais fraterna e, por consequência, mais intrinsecamente humana.

 Publicado no Badaladas, órgão de imprensa regional de Torres Vedras  em 19de Junho.